Home Data de criação : 07/11/18 Última atualização : 11/10/17 11:17 / 96 Artigos publicados

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Padre Iniciado no Candomblé  (Candomble) escrito em domingo 18 janeiro 2009 17:56

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Padre Iniciado no Candomblé


Importante posição ecumênica deste padre que mostra sua visão sobre o Candomblé como religião compatível e complementar para o benefício do ser humano; os exageros da Igreja e sua posição atualizada que resgata a legitimidade do Candomblé através da Carta de Paulo VI - Africae Terrarum

Paulo "Olúsinadé" Botas, 56, é padre, teólogo, doutor em filosofia, militante de movimento ecumênico, estudioso, pesquisador e iniciado no Candomblé, como Ogã de Ogum no Ilé Axé Opô Afonjá, em Salvador, pela Iyalorixá Stella D'Oxossi.

Tem em sua conduta e no seu trabalho uma visão e posição ecumênica, no sentido que as pessoas rompam seus preconceitos em relação às religiões africanas e entendam serem religiões complementares e compatíveis, para o benefício do próprio ser humano. Para tanto, coloca de forma clara e inequívoca, situações que contribuíram para o distanciamento destas religiões co-irmãs, bem como o resgate da legitimidade do Candomblé como religião, dos exageros da Igreja para atingir seus objetivos de religião superior e oficial nos países que entrou com seu processo evangelizador, citando e dando a devida atenção, ao documento oficial do Papa Paulo VI, de 1967, o qual valoriza a religião africana em seu documento oficial - Africae terrarum - Terras das África, no qual reconhece a religião africana como positiva e não mais como religião não-cristã, até mesmo porque Cristo veio ao nosso mundo, alguns milhares de anos após a existência desta religião.

Mostra assim, que é Divino as diversas culturas e religiões, nos mais diversos cantos da terra.

Todo material que segue, está contido em seu livro - Xirê , A ciranda dos encantados - publicado pela Editora Ave-Maria, em 1997, separado por temas e dos quais pincei estes conteúdos.


Introdução

"Quando o profeta nos questiona: "Acaso não temos um mesmo Pai para todos nós? Não nos criou um mesmo Deus? Porque trabalhamos tão perfidamente uns contra os outros? (Malaquias 2,10) - Deus quis que assim fosse...se não, nos teria criado um só. Quis Deus que muitos fossem seus nomes e manifestações, para que houvesse uma partilha permanente entre os homens e mulheres, de todos os tempos e lugares, para se enriquecerem mutuamente com as suas maneiras múltiplas de buscá-Lo. O objetivo é ampliar o coração das pessoas, que o único caminho para a paz, é reconhecer que Deus nos deu, na sua infinita criação, uma diversidade e pluralidade de expressão, nas múltiplas culturas e humanidades.

Todos os orixás, os cristos, os budas, os krishnas, os maomés, os tupãs e tantos outros que moldamos em linguagens humanas não esgotam a força espiritual de cada um e de todos, ainda que, na nossa miopia, possamos acreditar que encontramos, no nosso momento histórico, o verdadeiro deus.

Não podemos deixar para nosso filhos e filhas esse espólio horrorendo e asqueroso de guerras santas, de perseguições sem limites.


Da origem

O professor Cavali-Sforza, da Universidade de Stanford, declarava para a revista Veja, em 18 de janeiro de 1995, que o processo de humanização, ocorreu na África e hoje todos os seres humanos do planeta descendem dos africanos.

A Folha de São Paulo, de 28 de abril de 1995, noticiou as conclusões de cientistas americanos, nas revista Science, que "o uso de ferramentas e o surgimento de relações sociais entre seres humanos começaram na África e não na Europa, como se pensava até agora". Somos todos africanos de origem.

Homens e mulheres de todos os cantos da terra, a partir do seu berço africano foram reinventando seus mitos, suas lendas, seus deuses, suas comidas, suas festas, suas danças e suas músicas na busca incessante de transcender cada vez mais e se perpetuar na história humana pela ancestralidade.

Na tradição religiosa, a pedra ocupa um lugar de qualidade, existe entre a alma e a pedra uma estreita relação. Quando o culto se celebra sobre a pedra, não se dirige à própria pedra, mas ao deus que a tem como lugar de moradia.

Jacó fez de uma pedra um travesseiro para dormir. E sonha com uma escada cujo topo chegava aos céus e pela qual os anjos de Deus subiam e desciam. E por cima dela estava o Senhor que lhe revela ser Deus de Abraão e de Isaac, seus ancestrais. Jacó, quando desperta, proclama que Deus estava naquele lugar. "Quão terrível é este lugar! Esta não é outro senão a casa de Deus; esta é a porta dos céus" então levanta-se de madrugada, toma a pedra em que repousara cabeça, erige-a em coluna e derrama azeite sobre ela. E chama o lugar de Beith-el - a casa de Deus (gênesis, 28, 10-22).

É bom lembrar que, até poucos anos, a celebração da missa era realizada sobre a ara, uma pedra colocada numa cavidade sobre o altar, onde se encontravam as relíquias dos mártires. Ainda o que foi dito à Pedro. Pedro, tu és pedra, e sobre esta pedra, erigireis tua Igreja. Na tradição cristã, a pedra angular - a que foi rechaçada pelos construtores (Lucas 20,17) - é a pedra do acabamento, da coroação, da cumeeira, a chave da abóbada. Ela foi substituída pelo pão. E Beith-el (casa de Deus) converteu-se em Beith-Iehem (casa do pão), e o pão eucarístico substituiu a pedra como lugar da presença divina.


Dos escravos

A vinda dos escravos ao Brasil fez com que homens, mulheres e crianças, pertencentes a reinos, nações, clãs, linhagens, aliados e inimigos, caçadores da medicina natural se encontrassem e redimensionassem as suas tradições culturais e religiosas. Essa era a única maneira de confrontar a opressão religiosa católica que se fez acompanhar não apenas dos grilhões de ferro que aprisionavam os corpos dos negros, mas também do "aspergir" da água benta, do nome novo marcado a ferro em brasa nas regiões corporais, onde a carne não fosse comprometida e perdesse seu valor de compra e venda: de mercadoria. E tudo isso ao som entoante do "em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo".

Catequese e escravidão andavam de mãos dadas. Os navios negreiros eram batizados com nomes da Virgem: Imaculada Conceição, Mãe de Deus, etc. muitos padres e ordens religiosas eram possuidores de escravos. Os sofrimentos de Cristo eram exemplos de redenção para o sofrimento imposto pelos católicos brancos.

A expressão religiosa africana foi vista como num espelho pelos colonizadores, o que não era o reflexo nu e cru, da sua cultura eurocêntrica e da sua religiosidade católica romana, deveria ser banido, aniquilado e/ou demonizado. Tudo o que não era o seu espelho, o seu igual, era demonstração de "possessão demoníaca" e suas consultas aos oráculos, sacrifícios propiciatórios e outros rituais, eram estigmatizados como bruxaria ou "magia negra". As almas católicas viviam rogando pragas, maldições e conspirando em sintonia com o bom-tom hipócrita das cortes da Europa.

Mas... os negros souberam se apropriar das formas de organização religiosa dos colonizadores e criaram, como forma de confronto, suas irmandades religiosas próprias, notadamente as de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e da Boa Morte. Por meio delas e da contribuição dos seus filiados, buscavam formar pecúlios suficientes para a alforria dos seus membros e garantir um enterro digno e "cristão" aos seus membros, onde eram mescladas as ladainhas católicas e os ritos funerários da nação africana do morto. Tudo sob as barbas da ignorância dos seus senhores e da fragilidade espiritual da maioria do clero branco, tão atento em coibir bruxarias, demônios, orgias, possessões, etc.


O papa e seu documento "Africae Terrarum"

Em 1967, o papa Paulo VI lançava um documento oficial valorizando a religião africana e a colocando lado a lado das outras religiões universalmente conhecidas. Irônica ou intencionalmente, esse documento não foi suficientemente divulgado e amadurecido pelas comunidades cristãs; o que teria, sem dúvida, aniquilado muitos dos preconceitos e dos dogmatismos das igrejas locais. o mais importante é o fato de o Papa reconhecer a religião africana como positiva e não mais como uma religião não-cristã. Essa mudança de ótica legitima e estimula o reconhecimento da diferença como condição fundamental para um diálogo inter-religioso.

"A vida espiritual é o fundamento constante e geral da tradição africana. Não se trata simplesmente da assim chamada concepção "animista", no sentido emprestado a esse termo na história da religiões, no fim do século passado. Trata-se, antes, de uma concepção mais profunda, mais ampla e universal, segundo a qual todos os seres e a mesma natureza visível se acham ligados ao mundo do invisível e do espírito. O homem, em particular, nunca é concebido, como apenas matéria, limitado à vida terrena, mas reconhece-se nele a presença e a eficácia de outro elemento espiritual que faz a vida humana ser sempre posta em relação com a vida do além. Desta concepção espiritual, elemento comum importantíssimo é a idéia de Deus, como causa primeira e última de todas as coisas. Esse conceito, percebido mais do que analisado, vivido mais do que pensado, exprime-se de modo bastante diverso de cultura para cultura. Na realidade, a presença de Deus penetra a vida africana, como a presença de um ser superior, pessoal e misterioso. A ele se recorre nos momentos mais solenes e críticos da vida, quando da intercessão de qualquer outro intermediário se julga inútil. Quase sempre posto de lado o temor da onipotência, Deus é invocado como Pai. As orações a ele dirigidas, individuais ou coletivas, são expontâneas e por vezes comoventes. E entre as formas de sacrifício sobressai pela pureza do significado o sacrifício das primícias(...) A participação na vida da comunidade, quer esta seja no âmbito da parentela quer no da vida pública, é considerada como um dever preciso e como um direito de todos, mas ao exercício desse direito se chega somente depois de uma preparação amadurecida, por meio de uma série de iniciações com o objetivo de formar o caráter dos jovens candidatos e instruí-los sobre as tradições e normas consuetudinárias da sociedade". Paulo VI. - Africae Terrarum

Muita violência teria sido evitada se os católicos tivessem dado ouvidos e compreendido toda a riqueza dessas palavras do seu líder e pastor máximo. Poder-se-ia ter avançado, e muito, na troca permanente dos valores religiosos. Beber na fonte da tradição religiosa que originou Jesus de Nazaré e o cristianismo. Nada está em contradição. São outros momentos e outras culturas, outra vivências e expressões, outras faces de um mesmo Deus.

"Eis porque o africano quando se torna cristão não se renega a si mesmo mas retoma os antigos valores da tradição "em espírito e em verdade." (Africae terrarum)

Os tempos são outros... O Papa é outro nesse início de milênio. O brasil é outro e outra é a sua dimensão religiosa: plural e diversa.

Jamais poderemos esquecer que, nos últimos vinte séculos, a África foi explorada pela Europa "cristã"...o império romano explorou o Egito tirando dele trigo, escravos e animais de carga. Os maometanos foram cooptados e organizaram o tráfico negreiro em demanda da Europa durante toda a idade Média, com a complacência da Igreja Católica Apostólica Romana. No século XIX, as potências européias "cristãs" ocuparam definitivamente a África transformando suas nações em protetorados.


Os negros - Os escravos

As carnes nobres para a Casa-grande, o resto para a senzala. E a criatividade inventou a comida pela qual o Brasil é reconhecido no mundo; a negra feijoada dos negros baianos e mineiros. Sempre foi assim a festa comunitária dos negros. A comida farta de Ogum, guerreiro doa caminhos, a dança e os cantos, as roupas coloridas.

Senhoras e senhores da folhas, dos chás e infusões que curam e aliviam a todos os que deles se servem. Generosidade e gratuidade são as heranças presentes, até hoje, na nossa cultura. A ganância e a avareza dos colonizadores e das igrejas foram vencidas pela grandiosidade dos gestos e pelo acolhimento da diversidade e da pluralidade vividas nos quilombos.

As igrejas pragmáticas, e com ambição expancionista, procuram ocultar pelo tamanho dos seus templos a sua pequenez espiritual. Para elas, as festas religiosas africanas, nos seus barracões despojados, onde a comunidade recebe a todos, (não importando a cor, classe social, religião ou raça); onde a comida é repartida fartamente e onde cada filho e filha, generosamente, contribui com o que tem para a festa comum - tais festas só podem ser "uma barbárie". Imersas na sua ânsia-quase-vômito de poder e preocupadas com a eficácia e eficiência dos seus investimentos materiais, as igrejas há muito perderam a alegria da partilha e a comunhão da mesa.

Depois de uma longa história de repressão religiosa aos cultos populares de origem africana e indígena, as igrejas mantêm ainda um sentimento de superioridade, separando a fé católica das elites brancas das práticas consideradas ignorantes do povo. Some-se a isso toda a cultura de segregação desenvolvida após a abolição que, pensando o Brasil em moldes europeus, isolava os negros, dando-lhes o estigma de malandros, criminosos, bêbados, desocupados e embusteiros. A eles coube os planos sanitaristas que visavam erradicar "as doenças dos pobres": varíola, febre amarela, tuberculose, etc. a urbanização das cidades seguiu o mesmo padrão europeu: boulevards e ruas largas para combater a herança africana em nossa cultura, vista como "primitiva e atrasada".

Na religião o estigma foi de anátema. Interpretando, para a sua melhor conveniência, a religião africana como politeísta ( que acredita em vários deuses) e animista ( que atribui alma e vida a objetos inanimados) afirmava a inferioridade do negro em relação ao branco, cuja religião monoteísta era a descrita e de graus infindáveis de abstração.

Na África, o culto tinha um caráter familiar e era exclusivo de uma linhagem, clã ou grupo de sacerdotes. As divindades iorubas eram cultuadas em suas cidades: Xangô, em Oió; Oxossi, em Keto; Oxum, em Ipondá, e assim por diante. Com a vinda ao Brasil e a separação ardilosa das famílias, das nações, das etnias, essa estrutura religiosa não pode se repetir e se fragmentou. Mas os negros criaram uma unidade nesta diversidade e pluralidade e puderam partilhar e comungar os cultos e os conhecimentos diferentes em relação aos segredos rituais de sua religião e cultura. E desta nova maneira de ser e viver, aberta a todos, surgiu a forma acabada do que se chama hoje candomblé.

Foi a negação da originalidade do outro que fez com que tantas culturas e civilizações fossem destruídas. Algumas pessoas acabam querendo reduzir os outros a seu tamanho, à cor da própria pele, à sua maneira de pensar, de acreditar em Deus, tomado-se como única referência na vida e no mundo.

Olorum ama tudo o que criou e nos concede que o encontro entre os Orixás e a humanidade seja realizado em momentos de festa e alegria, na partilha da comida e da bebida, para que todos saibam da sua generosidade e misericórdia...
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LOGUN-EDÉ  (Candomble) escrito em sexta 16 janeiro 2009 23:37

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LOGUN-EDÉ   LOGUN-EDÉ, Filho de Oxum com Oxóssi. Seus domínios são os leitos de rios e mares.   

Logun-Edé, chamado geralmente apenas de Logun, é o ponto de encontro entre os rios e florestas, as barrancas, beiras de rios, e também o vapor fino sobre as lagoas, que se espalha nos dias quentes pelas florestas. Logun representa o encontro de naturezas distintas sem que ambas percam suas características. É filho de Odé Inlé com Oxum Yeyeponda, dos quais herdou as características. Assim, tornou-se o amado, doce e respeitado príncipe das matas e dos rios, e tudo que alimenta os homens, como as plantas, peixes e outros animais, sendo considerado então o dono da riqueza e da beleza masculina.

É considerado o príncipe dos orixás.
Tem a astúcia dos caçadores e a paciência dos pescadores como principais virtudes.

Dizem os mitos que sendo Oxossi e Oxum extremamente vaidosos, não puderam viver juntos, pois competiam pelo prestigio e admiração das pessoas e terminaram separando-se.

Ficou combinado entre eles que Logun-Edé viveria seis meses nas águas dos rios com Oxum e seis meses nas matas, com seu pai Oxossi. Ambos ensinariam a Logun a natureza dos seus domínios. Ele seria poderoso e rico, além de belo.

No entanto, o hábito da espreita aprendido com seu pai, fez com que, um dia, curioso a respeito da beleza do corpo de sua mãe, de que tanto se falava nos reinos das águas, Logun-Edé vestindo-se de mulher fosse espiá-la no banho. Como Oxum estivesse vivendo seu romance com Xangô, tio de Logun, e Xangô tivesse exigido como condição do casamento que ela se livrasse de Logun, Oxum aproveitou a oportunidade para punir Logun com sua transformação num orixá meji (hermafrodita) e abandoná-lo na beira do rio. Iansã o encontra, e fascinada pela beleza da criança leva Logun para casa onde, juntamente com Ogum, passa a criá-lo e educa-lo.

Com Ogum Logun-Edé aprendeu a arte da guerra e da forja e com Iansã o amor à liberdade. Diz o mito que Logun tinha tudo, menos amor das mulheres, pois mesmo Iansã, quando roubada de Ogun por Xangô, abandona Logun com seu tio, criando assim um profundo antagonismo entre Xangô e Logun, já que por duas vezes Xangô lhe tira a mãe.

Logun nunca se casou , devido a seu caráter infantil e hermafrodita e sua companhia predileta é Ewá, que também vive, como ele, solitária e no limite de dois mundos diferentes.
É um orixá cultuado na região de Ijexá, na Nigéria.

Possui o conhecimento dos elementos da natureza, onde reinam seus pais, como florestas, matas, rios, cachoeiras, etc. Seu próprio domínio está situado nas margens de rios, córregos e cursos d’água em geral, desde que tenham vegetação, ou seja, o encontro dos dois reinados.
Logun é um orixá soberano e não passa por transformações sexuais. Isso acontece, com freqüência, aqui na Terra, com os seres humanos. Os orixás estão anos-luz adiante dessas questões.

Na verdade, esse orixá tem livre acesso aos dois reinados, adquirindo o conhecimento de ambos. Consegue adaptar-se, com facilidade, aos mais diversos ambientes, agindo e comportando-se de diferentes formas, dependendo da situação.

Ele herdou, também, muitas das características de seus pais, como a habilidade de caçar e conseguir fortuna, o encanto e a beleza, bem como um grande conhecimento de feitiçaria, como sua mãe. Além desses atributos, é, também, responsável pela fertilização das terras, através da irrigação, contribuindo, assim, com a agricultura.

Esse orixá possui muita riqueza e sabedoria, não admitindo a imperfeição em suas oferendas e rituais. Tem aparência doce e calma, mas, quando contrariado, torna-se muito enfurecido.

Uma outra característica de Logun é a de importar-se com o sofrimento dos outros, distribuindo riquezas e caças para os que não têm.

Seu maior símbolo....................Arco, flecha e leque
Seu dia.....................................Quinta-feira e sábado
Sua cor.....................................Azul turquesa e amarelo ouro
Sua fruta...................................Banana prata, cacau e obi
Seu mineral...............................Coral e ouro
Saudação..................................Logun, Logun
Assentamento...........................seixos de rio, arco e flecha
Flor..........................................rosa e palma amarelam-Comida
Comida seca..............................axoxo e omolokum

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Caracteristicas de filhos de logun -édé  (Candomble) escrito em sexta 16 janeiro 2009 23:33

Logun Edé é o Orixá da riqueza e da fartura, deus da guerra e da água. É, sem dúvida, um dos mais bonitos orixás do Candomblé, já que a beleza é uma das suas principais características. Caçador habilidoso e príncipe soberbo, Logun Edé reúne os domínios de Oxóssi e de Oxum, e quase tudo que se sabe a seu respeito gira em torno de sua paternidade.
. Apesar da sua história, é preciso esclarecer que Logun Edé não muda de sexo a cada seis meses, ele é um Orixá do sexo masculino. A sua dualidade dá-se a nível comportamental, já que em determinadas ocasiões pode ser doce e benevolente como Oxum, e em outras, sério e solitário como Oxóssi. Logun Edé é um Orixá de contradições; nele os opostos alternam, é o deus da surpresa e do inesperado. Na Nigéria, a cidade de Logun Edé chama-se Ilesa e é uma das mais ricas e prósperas de África, mas o seu culto na região está em via de extinção.
. Gostaria aqui de salientar que não podemos desconsiderar o processo cultural que deu origem ao Candomblé e as diferenças fundamentais que existem entre os cultos aos orixás no Brasil e na África. O Candomblé é um “resumo de toda a África mística”. Muitos deuses que na África mantinham a sua autonomia, no Brasil foram reunidos num único Orixá e divididos em diversas qualidades. No Candomblé, Oxóssi e Oxum são os pais de Logun Edé, um deus único que encontra na sua paternidade uma forma de existir e residir, pois o seu culto mantém-se até hoje e é cada vez mais crescente fora de África. Há também quem diga em África que Logun Edé é, na verdade, uma altiva versão masculina da própria Oxum.
. A história revela que Oxóssi, feliz pelo filho vindouro, declarou a Oxum o seu amor e lhe pediu a posse do menino, pois queria ensinar a Logun Edé a caçar e todos os segredos da floresta. Mas Oxum também amava seu filho e não queria dele se separar. Então, ficou decido que Logun Edé ficaria seis meses com sua mãe e seis meses com seu pai, comendo assim do peixe e da caça. Seria Oxóssi e seria Oxum, mas sem deixar de ser ele mesmo. Daí Logun Edé ser conhecido como uma princesa na floresta e um caçador sobre as ondas...
. Logun Edé possui as características de Oxum, ou seja, narcisismo, vaidade, gosto pelo luxo, sensualidade, beleza, charme e elegância. Tem também características em comum com Oxóssi, ou seja, beleza, vaidade, cautela, objetividade e segurança. No entanto, há características de Logun Edé que não pertencem nem a Oxum nem a Oxóssi. Na verdade, ele reúne o arquétipo de ambos, mas de forma superficial. Podemos dizer que as qualidades de Oxum e Oxossi aparecem mais amenas em Logun Edé, mas em compensação, os defeitos exacerbam-se. Dessa forma, Logun Edé é extremamente soberbo, arrogante e prepotente.
. Mas algo não se lhe pode negar: Logun Edé é bonito e possui um olhar especial, algo que atrai e repele ao mesmo tempo. É do tipo ‘bonitinho, mas ordinário’. É o mandão e dono da verdade, belo demais cujo ego não cabe em si. Logun Edé não anda, ELE paira no ar...



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Joana tem 23 anos e combate o virus Uma excelente notícia para quem luta contra o vírus da Hepatite  escrito em domingo 10 fevereiro 2008 06:53

                   JOANA QUERO QUE SAIBAS QUE ÉS UMA VERDADEIRA LUTADORA..SINCERAMENTE FIQUEI COMOVIDO CM A TUA HISTÓRIA. JOANA TEM 23 ANOS E PARTILHA UMA BATALHA DA SUA VIDA CONNOSCO... FORÇA JOANA!!!!

 

1º dramatizar a situação ainda é pior.

2º o doente muitas vezes nem tem consciência que mudou tanto... mesmo a nível de personalidade

3º se se quizer ajudar mesmo é necessário não dar muita importância às variações de humor do doente pois este necessita é de apoio moral mas não é como se estivesse a morrer.

Enfim, eu tenho 23 anos e com 20 anos descobri que era portadora do vírus da hepatite c, fui infectada por uma seringa quando era toxicodependente desde os meus 16 aos 18 anos. Felizmente não apanhei SIDA pois o vírus tem uma resistência muito menor ao ar livre. Quando descobri que tinha esta doença entrei em pânico (como a maioria das pessoas que não têm qualquer tipo de informação relacionada com esta doença). Fiz a biópsia e começou-se a ver qual o genótipo do vírus e qual o tratamento mais adequado para mim. Tive sorte em ser mulher (pois aparentemente as mulheres têm uma hipótese de cura maior que os homens) mas o genotipo era o mais raro. Comecei a fazer o tratamento e nunca deixei de trabalhar nem de ter vida por isso, claro que me fui bastante abaixo a nível físico (emagreci 8 quilos em 1 mês) e psicológico, tive ataques de pânico e sentia a minha pele muito seca e sensível, como tinha tido uma depressão um ano antes ainda me fui um pouco mais a baixo. o que assustou mais foi a queda de cabelo pois o tratamento é parecido com a quimioterapia em termos de efeitos secundários, mas o cabelo só caiu mais nos primeiros 2 meses, comecei logo um tratamento contra a queda e felizmente parou de cair. Senti-me deprimida e o pior eram os sonhos com a febre que tinha, pois para se sentir menos os efeitos secundários durante o dia tomava a injecçao à noite e tinha um sono muito perturbado, mas só pensava que me estava a curar e levei o tratamento sempre com optimismo mesmo sendo uma pessoa pessimista por defeito. Mas o que interessa é que é complicado mas não é o fim do mundo e as pessoas só têm k levar as coisas com naturalidade. E um conselho aos familiares, não tentem forçar a pessoa a fazer seja o que for ou a comer seja o que for pois o nosso humor só nos permite fazer aquilo que nos apetece (pouco mas apetece), não dramatizem e não pressionem, nem incitem a discussões pois nós nessa altura estamos muito susceptíveis a tudo e precisamos de apoio e não de críticas de comportamento pois não temos controlo sobre as nossas emoções.
Hoje passado 2 anos do tratamento ainda estou negativada, fiz análises o mês passado e está tudo normal. Aos seis meses fiquei negativada e até agora o vírus não reincidiu e espero que não reincida mais, só tenho que fazer análises de ano a ano e fiquei muito contente por saber que ainda estou negativada passado um ano sem fazer análises.

Deixo aqui este meu testemunho e espero que dê ânimo a todos aqueles que estão a fazer ou iniciaram o tratamento há pouco tempo ou até mesmo àqueles que souberem agora que têm esse vírus. Ah! E mais importante, aos companheiros dos doentes o vírus só se transmite por sangue, a nível sexual só se houver algum vaso sanguíneo que se rompa, mas basta usar preservativo! Não deixem de amar os vossos companheiros por estes terem HC, pois só por ignorância é que o irão fazer. Digo isto pois na altura aconteceu que o meu companheiro deixou de querer ter sexo comigo e isso deixou-me muito em baixo... resultado, a relação terminou. Mas hoje tenho uma pessoa ao meu lado que me apoia e que quando soube que eu estava a fazer esse tratamento me apoiou ainda mais com o seu amor e carinho e fez questão de se informar para me poder ajudar. Espero que tenham a sorte que tive

Beijinhos! E espero poder ajudar sempre que me for possível!

Contem comigo!

Joana

p.s: quero agradecer à minha mãe! Pois sem ela teria sido muito mais complicado. Ela é que sempre me deu força para continuar e sempre me disse que iríamos ultrapassar tudo juntas e que iria ficar curada. Obrigada Mãe! »

                 

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